Vetores da Mudança – ESG e Resolução de Disputas

Autores

Repositório Iberojur
Diego El-Jaick Rapozo
Ana Paula Camilo
Anne Luise de Amorim
Deise da Silva Oliveira
Antonio Fonseca dos Santos 
Enio Fonseca
Dayane Saraiva
Diego Faleck
Elisa Lucena
Decio Michellis Jr
Fabio da Silva Veiga
Gustavo Mascarenhas Guedes 
Juan Felipe Nunes Sanchez
Karen Machado
Leonardo André Gandara 
Luiza Cristina Milagres Gandara 
Mariana Ferreira Caldas Fraga
Rachel Starlíng Albuquerque Penido Silva
Valéria de Sousa Rosa 
Ana Carolina de Lima Chagas  

Sinopse

Ao longo de mais de uma década atuando com mediação, conciliação e construção de consensos em disputas das mais variadas naturezas, aprendi uma lição incontornável: se o conflito é inerente à vida em sociedade, sua forma de resolução não precisa seguir apenas um caminho e, certamente, não deveria se restringir ao da judicialização.

Entre instituições públicas e privadas, capacitando centenas de mediadores judiciais e extrajudiciais, minha trajetória foi se moldando em torno de um compromisso: o de contribuir para um modelo de resolução de disputas mais justo, mais dialogado, mais humano e mais atento aos impactos sociais que cada conflito carrega.

Foi nesse percurso que construí minha história. E foi ele que me trouxe até aqui: à criação do podcast Vetores da Mudança e agora à coordenação desta obra coletiva, que reúne vozes potentes e plurais em torno de temas urgentes como o Direito, o ESG e os sistemas de resolução de disputas.

O primeiro fio dessa transformação começou com minha saída de um viés predominantemente judicial e contencioso, para os primeiros passos no Núcleo de Mediação do Tribunal de Justiça local. Ali tive grandes mentores, como o Desembargador Cezar Cury e a coordenadora do Núcleo Claúdia Ferreira. Tive a oportunidade de participar de experiências transformadoras, como o procedimento de construção de consenso entre estudantes secundaristas e a Secretaria de Educação um exercício profundo de escuta, maturidade social e articulação institucional que culminou com construção coletiva de múltiplos acordos.

Logo depois, veio um novo ponto de virada: a participação em processos de mediação em contextos de crise e alta repercussão social. Ali compreendi, com ainda mais clareza, a potência da consensualidade como resposta institucional legítima e eficaz. Foi nesse cenário que conheci um grande amigo e mentor, Diego Faleck a quem deixo aqui meu profundo reconhecimento e agradecimento. Com ele aprendi que não basta buscar o acordo. É preciso buscar justiça possível. E que, por meio de processos justos, podemos construir verdadeiras pontes mesmo em terrenos desafiadores.

A academia também teve papel decisivo nessa jornada. Na UERJ, fui guiado por mestres como Humberto Dalla, Flávia Hill, Leonardo Schenk e Marcia Michele, que ensinaram com excelência os fundamentos do direito processual e a importância de uma prática jurídica comprometida com os meios adequados de resolução de disputas. Com eles, compreendi que desjudicializar não é enfraquecer o direito, é fortalecer sua capacidade de apoiar e servir à sociedade.

Nesse mesmo espírito de cooperação internacional, destaco o trabalho essencial desenvolvido pelo Instituto Iberoamericano de Estudos Jurídicos – Iberojur. Sob a liderança inspiradora de Fábio Veiga amigo, parceiro de jornada e mentor acadêmico, o instituto conecta países, pesquisadores e ideias em torno de uma visão jurídica global, crítica e comprometida com os desafios do nosso tempo. O Iberojur constrói pontes entre sistemas, culturas e, sobretudo, entre pessoas que acreditam na força do conhecimento como vetor de mudança.

Mais recentemente, no doutorado em Administración, Hacienda y Justicia en el Estado Social, na Universidade de Salamanca, ampliei ainda mais o entusiasmo da pesquisa e da construção institucional. Professores Lorenzo Bujosa, Alicia Monge e Walter Reifarth me acolheram com generosidade e brilho, e reforçaram a ideia de que transformar instituições exige estudo, coragem e colaboração.

Foi nesse momento que nasceu o podcast Vetores da Mudança, um espaço de escuta ativa, de encontros e de construção de ideias. Ali entrevistei profissionais de setores como energia, mineração, alimentos, logística, advocacia, academia e poder público. Em cada conversa, percebi com mais força que há, sim, um movimento em curso. E que esse movimento é feito por pessoas que ousam pensar e agir diferente.

Dessa escuta nasceu este livro. Uma obra que reúne textos de profissionais que admiro profundamente, pessoas que atuam como verdadeiros vetores da mudança em seus territórios, instituições, empresas, comunidades e tribunais. Gente que não espera a mudança, mas sim, as constrói.

Se houve um aprendizado central em toda essa trajetória, ele pode ser resumido assim: é impossível transformar sozinho. A mudança real exige cooperação, escuta, humildade e compromisso. Exige vetores. Vetores são forças que têm direção. E quando vetores se encontram com propósito comum se tornam marés.

E marés têm esse poder silencioso, mas inegável, de transformar paisagens.

Ser vetor da mudança é ser agente ativo da transformação. É ser resiliente e flexível, estratégico e empático, assertivo e compreensivo. É mover-se com os olhos no futuro, mas com os pés firmes nos valores da justiça, da cooperação e do bem comum.

Esta obra é, portanto, um convite. Um convite à reflexão, ao diálogo e à ação. Um convite a continuar, juntos, fazendo o que precisa ser feito.

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Publicado

20 março 2026

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