

A presente pesquisa tem como objetivo analisar a participação das mulheres em diretorias sindicais como instrumento de fortalecimento da representatividade feminina nas negociações coletivas e de incentivo à positivação de normas que contemplem as particularidades da relação de trabalho da mulher. Busca-se, portanto, examinar a viabilidade jurídica da criação de uma norma infraconstitucional imperativa que estabeleça um percentual mínimo de mulheres na composição das diretorias dossindicatos profissionais, à luz do controle de constitucionalidade e compatibilidade internacional. O tema se destaca por sua relevância no cenário trabalhista contemporâneo, uma vez que a regulamentação das relações de trabalho ocorre, em grande medida, por meio de acordos e convenções coletivas.
A legislação estatal, de caráter heterônomo, não consegue abarcar todas as especificidades das relações empregatícias, sobretudo diante da diversidade de setores produtivos e das distintas realidades regionais em que se insere a atividade econômica.
Dessa forma, normas trabalhistas autônomas – elaboradas noâmbito da negociação coletiva entre sindicatos profissionais e patronais – assumem papel central na definição das condições de trabalho. No entanto, a ausência significativa de mulheres nos espaços deliberativos das entidades sindicais pode resultar em normas que desconsiderem as desigualdades de gênero e as demandas específicas das trabalhadoras. A justificativa desta pesquisa fundamenta-se na necessidade deaprofundamento do debate acadêmico e jurídico sobre a equidade degênero nas organizações sindicais. A sub-representação feminina nos sindicatos não apenas compromete a democratização da participação sindical, mas também pode influenciar a própria formulação de direitos no âmbito das negociações coletivas. A fim de contribuir para o avanço da igualdade de gênero nas relações de trabalho, esta pesquisa se propõe a examinar a compatibilidade da imposição de quotas de gênero nas diretorias sindicais com o ordenamento jurídico brasileiro, bem como sua adequação às diretrizes internacionais de direitos humanos e direito do trabalho.
Para alcançar esses objetivos, será adotada uma abordagem metodológica de caráter racional e sistemático, com base na análise normativa e doutrinária. O estudo terá como eixo central a interpretaçãodas normas constitucionais brasileiras relacionadas à liberdade sindical, à democracia participativa e à igualdade de gênero, além da investigação de diretrizes internacionais pertinentes, com destaque para a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH). O embasamento teórico será construído a partirde pesquisas sobre democracia participativa e inclusiva, política depresença, representatividade sindical e participação feminina em órgãos deliberativos laborais.
Dessa forma, a pesquisa busca oferecer uma reflexão crítica e embasada sobre a viabilidade jurídica da adoção de medidas normativas que fomentem a presença feminina na liderança sindical, contribuindo para um ambiente sindical mais democrático e para a consolidação de direitos voltados à equidade de gênero no mundo do trabalho.

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución-NoComercial-SinDerivadas 4.0.




Autores
Termo de Uso
Política de Privacidade